HORA CERTA

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Crianças que convivem com jogos e programas violentos se expõem mais a situações de risco

Quem tem filhos pequenos sabe que, depois de uma certa idade, fica difícil controlar a curiosidade deles por assistir desenhos menos lúdicos e um pouco mais, digamos, brutos. É neste momento que pais e mães ficam confusos sobre se devem ou não ceder aos desejos e permitir que meninos e meninas passem dos bichinhos fofinhos direto para os super-heróis, bombas e explosões. Afinal, será que isso faz mal ao cérebro deles? Para os pais que estão preocupados, os especialistas dão uma boa e uma má notícia. A boa é que eles sabem que o contato com conteúdo violento é praticamente inevitável, e que, mais cedo ou mais tarde, todas as crianças acabarão sendo expostas a ele. A má, no entanto, é que, se esta exposição não for mediada por um adulto, ela pode se tornar perigosa aos pequenos, que acabarão entendendo o comportamento violento como algo aceitável, como explica Renato Zamora Flores, do departamento de genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. — Se eu aprendi em casa que porrada é natural, então continuarei a minha vida pensando dessa maneira. Quanto mais uma criança está exposta a um meio violento, mais ela se expõe a situações de risco. Isso acontece também porque, de acordo com o professor, ao ver as lutas dos personagens na TV, as crianças entendem que apanhar até deve ser ruim, mas que ganhar uma briga pode ser bem legal. Especialmente no caso de meninos e meninas que sofrem ou já sofreram bullying na escola, por exemplo. — Ver alguém sendo machucado dá prazer porque aquela pessoa não sou eu. E, se eu já fui vítima de alguma violência na vida, certamente me sentirei vingado. Portanto, a recomendação de Flores é a de sempre cercar os filhos da maior quantidade de suporte possível na hora de oferecer a eles acesso a este tipo de conteúdo. — O adulto tem que saber explicar para a criança o que é aquela violência que ele está vendo, mesmo que seja a violência socialmente aceita. Ela tem que entender que aquilo ali não é uma representação da realidade. * A jornalista viajou a convite do World Congress on Brain, Behavior and Emotions

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